🎋 Conheça Juão de Fibra — nome artístico de João Gomes, artesão e artista plástico, guardião cultural do cerrado, que transforma o capim colonião em arte viva e uma contextura de identidade nacional

🌾 Capim colonião: matéria-prima e legado ambiental

Originário da África do Sul, o capim colonião adaptou-se com robustez ao Planalto Central. Presente em moitas densas ao longo de rodovias e áreas degradadas, ele atua como barreira natural à poluição e contribui para a regeneração do cerrado . Juão colhe o capim manualmente, seguindo técnicas de manejo sustentável e preservando sua sazonalidade — a fibra deve ser trabalhada em até cinco dias para garantir qualidade . Sem encontrar facilmente matéria-prima devido às queimadas e desmatamento, o artesão investiu num terreno para cultivo próprio da planta, consolidando um futuro centro de referência e preservação .

✍️ Da infância ao “Mestre Artesão”

Nascido em Varjota (CE), Juão mudou-se para Novo Gama (GO), na região do DF, quando criança. Influenciado por sua mãe, artesã autodidata, dedicou-se ao ofício desde cedo. “Eu, quando me vi artesão, já era artesão”, costuma dizer.

Apesar de predominarem grandes dificuldades; inclusive preconceito por ser homem e pela marginalização histórica da atividadeu; ele persistiu até encontrar seu propósito. Em determinado momento chegou a queimar quase 200 peças por frustração. Após cinco anos afastado, renasceu com uma consciência ambiental profunda, abraçando com urgência a arte e a defesa do bioma.

🎨 A estética do trançado: poesia e design

Juão desenvolveu um trançado exclusivo de capim colonião com mais de 50 técnicas, cada parte da cesta com um estilo diferente, capaz de lembrar estruturas celulares ou espirais de DNA humano. Sua obra inclui cestos de diferentes formas, luminárias, painéis, biojóias, bolsas e acessórios. Cada obra nasce na imaginação: “Quando eu toco na fibra, já sei no que ela vai se transformar” afirma o mestre.

Essa linguagem única se contrapõe à rusticidade natural da fibra com elegância e formas orgânicas marcantes, resultando em peças sofisticadas e autênticas.

🏆 Reconhecimento e protagonismo cultural

Em 2019, Juão foi selecionado pelo Sebrae entre os TOP 100 Artesãos do Brasil, com o icônico “Cesto Quintella”, criado em homenagem à presidente da Artesol, Sônia Quintella. Ele alcançou o prêmio com surpresa e sentimento de gratidão profunda. Participou da Fenearte, teve suas peças publicadas na Casa Vogue e ambientadas em eventos como a CASACOR. Recebeu o Selo de Artesanato Goiano das mãos da primeira-dama, um reconhecimento que ele celebra como “um fôlego para continuar” durante a pandemia.

🌱 Engajamento e legado compartilhado

Além de produzir, Juão de Fibra ministra cursos, oficinas e forma novos artesãos com base em princípios de sustentabilidade, design e economia criativa. Já treinou mulheres da comunidade rural de Chapadinha por meio de parceria com o SENAR-DF, reforçando seu compromisso com a transmissão de conhecimento.

Seu ateliê também será espaço de visitação com projetos educacionais e ambientais virtuais, onde alunos e interessados aprenderão sobre fibras nativas, cultura, preservação e economia local.

💬 Palavras do artesão

“O capim tem a mesma garra, a mesma força dos nossos irmãos africanos que aqui chegaram. Eles são resilientes. O capim encontrou em mim também uma pessoa resiliente.”

“É um material (…) que vem sendo destruído pela ação do fogo e pela negligência. Por isso, luto muito para que a importância do capim do cerrado (…) seja preservado.”

Juão de Fibra é muito mais que um artesão: é um agente de transformação, que funde arte, cultura e meio ambiente. Sua trajetória é um convite à reflexão sobre a riqueza do cerrado, a urgência da preservação e o poder do trabalho manual como instrumento de beleza e mudança social.

João Gomes – Novo Gama – GO

https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/decoracao/artesao-juao-de-fibra-transforma-o-capim-do-cerrado-em-obra-de-arte

Juão de Fibra

https://www.instagram.com/juaodefibra?igsh=bWx3dmozYzNtamVu

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